PromptEduBr: um percurso formativo para compreender e integrar a IA à educação

A IA já faz parte do cotidiano da escola, temos batido nesta tecla em vários posts do Blog eprofessor! Mas, ela nem  sempre é percebida, compreendida ou utilizada de maneira consciente. Os alunos utilizam IA como ferramentas de busca, nas plataformas digitais, nos sistemas de recomendação, nos aplicativos de produção de conteúdo e, mais recentemente, nas ferramentas de IA generativa capazes de criar textos, imagens, apresentações, vídeos, códigos e por aí vai.

Diante desse cenário, a pergunta mais importante talvez não seja se a IA será utilizada na educação, mas como podemos nos apropriar dela de forma crítica, ética, segura e pedagogicamente significativa. Temos visto índices de pesquisa que mostram que os alunos utilizam IA, mas a maioria, sem orientação prévia, seja por resistência dos professores, seja por falta de conhecimento sobre o assunto por parte dos docentes.
Foi com esse propósito que nasceu o PromptEduBr, um portal gratuito de recursos educacionais em língua portuguesa voltado ao desenvolvimento dos letramentos em inteligência artificial de professores e demais profissionais da educação.
O projeto foi idealizado e produzido por nós 3: eu, Elizabeth Fantauzzi, Carla Arena e Mariana Reis, como parte do Programa Google AI+Edu Fellowship já comentado por aqui anteriormente. Mais do que apresentar ferramentas, o portal propõe um percurso de aprendizagem que articula IA, planejamento pedagógico, criatividade, reflexão crítica e desenvolvimento profissional docente.

Mas aí vem a seguinte pergunta: por que falar em letramentos em inteligência artificial se todo o universo educacional já utiliza IA?

Aprender a utilizar uma ferramenta de IA não significa apenas saber onde clicar ou como solicitar uma resposta. O letramento em IA envolve compreender  como essas tecnologias funcionam, reconhecer suas possibilidades e limitações, formular comandos mais adequados, avaliar criticamente os resultados e tomar decisões responsáveis sobre quando, por que e para que utilizá-las. Isso significa entender que uma resposta bem escrita não é necessariamente verdadeira, completa ou imparcial. Sistemas de IA podem cometer erros, inventar informações, reproduzir vieses presentes nos dados e apresentar conteúdos descontextualizados com uma linguagem extremamente convincente. Também existem questões relacionadas à privacidade, aos direitos autorais, à proteção de dados, à autoria, à sustentabilidade e às desigualdades de acesso às tecnologias.

Por isso, o uso educacional da IA não pode ser reduzido à produtividade ou à técnica. Ela pode ajudar a organizar ideias, adaptar materiais, gerar perguntas, elaborar rubricas, planejar atividades e ampliar repertórios, mas a intencionalidade pedagógica, a contextualização e a decisão final continuam sendo responsabilidades humanas. Nesse sentido, o PromptEduBr convida o professor a ocupar uma posição de autoria. A IA participa como assistente do processo, não como substituta do conhecimento profissional, da experiência docente ou da relação humana que sustenta a aprendizagem.

Como usar o PromptEduBr?

O portal está organizado em diferentes espaços formativos que podem ser explorados de maneira independente ou como partes de um percurso integrado. Veja o que você encontra por lá:

1. Trilha de Aprendizagem

A Trilha PromptEdu reúne vídeos formativos sobre planejamento de aulas com inteligência artificial, Pedagogia de Prompts, Metodologia 5Es e utilização do Gemini como assistente de planejamento. A trilha principal possui dez episódios e pode ser realizada em aproximadamente uma hora. Trata-se de uma boa porta de entrada para professores que ainda estão iniciando seus estudos, mas também oferece referências para quem já utiliza ferramentas de IA e deseja aprimorar a qualidade pedagógica de seus comandos. O portal também apresenta conteúdos sobre a integração entre o Gemini e o Google Workspace for Education, além de recursos de inteligência artificial disponíveis no Google Sala de Aula.

Como o professor pode utilizar a trilha individualmente?

Reserve pequenos períodos ao longo da semana, assista a um ou dois vídeos por vez e mantenha um diário de aprendizagem. Depois de cada episódio, registre:
  • uma ideia que confirmou algo que você já sabia;
  • um conceito novo;
  • uma dúvida que permaneceu;
  • uma possibilidade de aplicação em sua realidade;
  • um cuidado ético que precisa ser considerado;
  • um pequeno experimento que poderá ser realizado.
Evite assistir a todos os vídeos de forma passiva. Escolha um conteúdo e teste imediatamente o que foi apresentado. A aprendizagem sobre IA se torna mais significativa quando alternamos momentos de estudo, experimentação, análise e reconstrução.

Você também pode utilizar a trilha com outros professores!

A trilha pode orientar encontros curtos de formação continuada. Em vez de uma palestra extensa, cada encontro pode começar com um vídeo e avançar para uma experiência prática. Uma possibilidade é organizar dez encontros de 30 a 45 minutos. Em cada reunião, o grupo assiste a um episódio, testa uma proposta e compartilha o que funcionou, o que não funcionou e quais adaptações seriam necessárias para cada componente curricular.

2. Sequência Didática de Letramento em IA

A Sequência Didática apresenta sete aulas destinadas aos anos finais do Ensino Fundamental e ao Ensino Médio. As atividades abordam o letramento em inteligência artificial a partir das etapas da Metodologia 5Es. O material oferece sugestões de atividades e comandos para apoiar tarefas como adequação de textos, elaboração de propostas de escrita e criação de experiências de aprendizagem. A sequência está disponível em português e inglês, pode ser acessada em PDF e também copiada para o Google Drive, permitindo que cada professor adapte o documento à sua realidade.
Esse aspecto é especialmente importante: a sequência não deve ser entendida como uma receita fechada. Ela funciona como uma estrutura que pode ser ajustada à faixa etária, ao componente curricular, ao tempo disponível, aos recursos tecnológicos e às necessidades dos estudantes.

Como você pode usar com os estudantes?

Antes de aplicar a sequência completa, o professor pode selecionar uma das aulas e realizar uma experiência-piloto. Durante a atividade, é importante observar:
  • como os estudantes compreendem o funcionamento da IA;
  • se reconhecem que as respostas precisam ser verificadas;
  • que tipos de informações pessoais costumam compartilhar;
  • como interpretam autoria e plágio;
  • se conseguem identificar erros, vieses e generalizações;
  • de que maneira reformulam um comando após analisar a primeira resposta.
A avaliação não precisa se concentrar apenas no produto final. O mais importante é acompanhar o processo: as perguntas feitas, as escolhas realizadas, as fontes consultadas, as mudanças introduzidas e a capacidade dos estudantes de justificar suas decisões.

3. Metodologia 5Es - O que é e para quê serve?

A Metodologia 5Es organiza a experiência de aprendizagem em cinco movimentos: Engajar, Explorar, Explicar, Elaborar e Examinar.

  • Engajar: O objetivo é despertar a curiosidade, ativar conhecimentos prévios e apresentar uma questão instigante. Uma imagem produzida por IA, uma notícia, um vídeo, um jogo, um enigma ou uma resposta aparentemente perfeita, mas incorreta, podem iniciar a investigação.
  • Explorar: Os estudantes experimentam, comparam, formulam hipóteses e coletam evidências. Nessa etapa, podem testar diferentes comandos, comparar respostas, consultar outras fontes ou analisar como pequenas mudanças no prompt alteram o resultado.
  • Explicar: É o momento de organizar as descobertas e relacioná-las aos conceitos. O professor ajuda a nomear fenômenos como alucinação, viés, dado de treinamento, privacidade, autoria, confiabilidade e inteligência artificial generativa.
  • Elaborar: Os estudantes aplicam o conhecimento em outro contexto. Podem melhorar um prompt, criar um protocolo de uso responsável, desenvolver um guia para a comunidade escolar, produzir uma campanha ou revisar criticamente um conteúdo gerado por IA.
  • Examinar: A avaliação acontece ao longo de todo o percurso. Portfólios, registros de prompts, autoavaliações, rubricas, debates, produções multimodais e relatos reflexivos podem tornar visível o processo de aprendizagem. A potência da metodologia está em deslocar o estudante da posição de consumidor de respostas para a de investigador, autor e avaliador crítico.
4. Os CARDS Pedagógicos

Os CARDS Pedagógicos constituem um dos recursos mais criativos do portal. São 78 cartas desenvolvidas para apoiar a criação de experiências de aprendizagem com a Metodologia 5Es e o GEMINI.

As cartas estão distribuídas em diferentes categorias:
  • cartas azul-marinho com orientações gerais e elementos para a construção de comandos;
  • cartas coloridas correspondentes às etapas da Metodologia 5Es;
  • cartas roxas com procedimentos e estratégias pedagógicas;
  • cartas rosas com recursos didáticos;
  • cartas azul-claro com ferramentas Google;
  • cartas relacionadas às possibilidades de apoio do Gemini.
O material reúne 24 cards de procedimentos pedagógicos, 18 de recursos didáticos, 20 de ferramentas Google, cinco de comandos para o GEMINI seis relacionados à Metodologia 5Es e quatro sobre as formas pelas quais o GEMINI pode auxiliar o professor.

Como utilizar os cards no planejamento individual?

Comece escolhendo uma habilidade ou um objetivo de aprendizagem. Depois, selecione:
  • uma etapa da Metodologia 5Es;
  • um procedimento pedagógico;
  • um recurso didático;
  • uma ferramenta digital disponível;
  • os elementos necessários para estruturar o prompt.
A combinação funciona como um disparador criativo. Ela não substitui o planejamento, mas ajuda o professor a sair das respostas previsíveis e explorar outras possibilidades. Se a combinação não fizer sentido, não é necessário descartá-la imediatamente. Pergunte à IA como aqueles elementos poderiam ser articulados. Em seguida, analise se a proposta é adequada ao currículo, à turma e às condições concretas da escola.

É possível utilizar os cards na formação de professores?

Organize os participantes em pequenos grupos e distribua uma combinação diferente de cartas para cada equipe. Todos podem trabalhar com o mesmo objetivo de aprendizagem, mas utilizando estratégias, recursos e ferramentas distintas.

Cada grupo deverá:
  • elaborar um prompt;
  • testar o comando em uma ferramenta de IA;
  • analisar criticamente o resultado;
  • modificar o prompt;
  • apresentar a proposta final;
  • explicar quais decisões foram humanas;
  • indicar riscos, limites e adaptações necessárias.
No compartilhamento, o foco não deve ser escolher “o melhor plano de aula”, mas observar como diferentes decisões produzem diferentes experiências de aprendizagem.


5. Comandos de alta qualidade

A área de Comandos apresenta cinco componentes que ajudam a construir prompts mais claros e contextualizados:

  • Persona ou papel: Indica a perspectiva profissional ou o campo de conhecimento que a IA deverá considerar. Por exemplo: “Você é um designer de aprendizagem com experiência no Ensino Médio brasileiro”.
  • Tarefa ou etapas: Explica o que precisa ser realizado. Quanto mais complexa for a solicitação, mais importante será dividir o trabalho em etapas.
  • Formato e tom: Define como a resposta deverá ser apresentada: tabela, lista, roteiro, sequência didática, rubrica, texto formal, linguagem destinada a determinada faixa etária, entre outras possibilidades.
  • Contexto e restrições: Apresenta informações relevantes sobre a turma, o conteúdo, os objetivos, o tempo de aula, os recursos disponíveis e aquilo que deve ser evitado. Dados pessoais ou sensíveis nunca devem ser inseridos em ferramentas de IA sem a devida proteção.
  • Exemplos: Mostram à IA referências do resultado esperado. Podem incluir modelos de escrita, estruturas, atividades anteriores ou critérios que precisam ser seguidos.
O portal também reúne comandos voltados à elaboração de testes e rubricas, avaliação formativa, estratégias de ensino e aprendizagem, prática reflexiva, desenvolvimento profissional, inclusão e trabalho administrativo.

Um exemplo de prompt estruturado

“Você é um professor de Ciências e designer de aprendizagem com experiência no 7º ano do Ensino Fundamental. Elabore uma atividade de 50 minutos sobre consumo consciente de água. Organize a proposta nas etapas Engajar, Explorar, Explicar, Elaborar e Examinar. A turma possui 30 estudantes e terá acesso apenas a papel, lápis e um projetor. Apresente o planejamento em uma tabela com tempo, ação do professor, ação dos estudantes e evidências de aprendizagem. Inclua uma adaptação para estudantes com dificuldades de leitura. Não utilize dados pessoais nem proponha atividades que dependam de celulares.”

Depois de receber a resposta, o trabalho está apenas começando. O professor precisa verificar a adequação da proposta, conferir informações, modificar etapas, ajustar a linguagem e inserir elementos relacionados à realidade da turma.

6. Mapa 5Es e Laboratório de Prompts

O Mapa 5Es auxilia no planejamento e no registro das experiências de aprendizagem. Ele pode ser utilizado em conjunto com os cards, o Gemini e o Laboratório de Prompts. O Laboratório de Prompts funciona como um caderno de investigação da prática docente. Nele, o professor pode registrar:
  • o prompt inicial;
  • a resposta recebida;
  • os pontos fortes e as limitações identificadas;
  • as alterações feitas no comando;
  • as novas respostas geradas;
  • as fontes consultadas;
  • as decisões pedagógicas tomadas;
  • as adaptações realizadas;
  • os resultados observados após a aplicação.

Esse registro ajuda a compreender que interagir com uma IA é um processo iterativo(Parêntesis: você sabe o que é iterar? Iteração é o ato ou processo de repetir um conjunto de ações ou passos para refinar um resultado de forma gradual) Raramente o primeiro comando produz a melhor resposta. Perguntar, analisar, reformular e testar novamente faz parte da aprendizagem.

O portal apresenta sugestões de prompts relacionadas à personalização, criatividade, otimização do tempo, reflexão sobre a prática e aprimoramento profissional. Também disponibiliza versões do Mapa 5Es e dos cards em outros idiomas.

7. Referências e notas técnicas

A área de Referências e Notas Técnicas amplia o percurso de aprendizagem com uma curadoria de conteúdos em língua portuguesa. Esse espaço é importante porque o letramento em IA não se encerra no domínio de uma ferramenta. As tecnologias mudam rapidamente, novos recursos são lançados e novas questões éticas surgem. Por isso, a formação precisa ser contínua, investigativa e apoiada em fontes confiáveis. Ou seja: estude semppre!

Que tal um roteiro de formação pessoal em quatro semanas?

O PromptEduBr pode orientar um percurso autônomo de estudo:
  • Semana 1: compreender: Explore a página inicial e assista à Trilha de Aprendizagem. Registre os conceitos mais importantes e identifique quais aspectos da IA você ainda precisa aprofundar.
  • Semana 2: experimentar: Estude os componentes de um comando de alta qualidade. Escolha uma tarefa real de seu cotidiano e escreva um prompt com persona, tarefa, formato, contexto e exemplos.
  • Semana 3: planejar: Conheça a Metodologia 5Es e selecione alguns cards. Utilize o Mapa 5Es e o Laboratório de Prompts para construir uma experiência de aprendizagem.
  • Semana 4: analisar e compartilhar: Revise o planejamento, verifique as informações, aplique a atividade, quando possível, e registre os resultados. Compartilhe a experiência com um colega, incluindo os erros, as dúvidas e as reformulações realizadas.
Uma proposta de formação coletiva na escola

O portal também pode ser utilizado em reuniões pedagógicas, horários de trabalho coletivo ou comunidades de prática.
  • Encontro 1: o que já sabemos sobre IA? Comece com um levantamento das experiências, expectativas e receios do grupo. Apresente o PromptEduBr e selecione um vídeo curto da trilha.
  • Encontro 2: anatomia de um bom prompt: Compare um comando vago com outro estruturado. Em grupos, os professores podem reformular prompts considerando persona, tarefa, formato, contexto e exemplos.
  • Encontro 3: planejamento com os cards: Cada equipe escolhe uma habilidade curricular e sorteia cartas. Depois, cria uma experiência de aprendizagem apoiada na Metodologia 5Es.
  • Encontro 4: auditoria pedagógica da resposta: Os grupos analisam as respostas da IA a partir de critérios como precisão, adequação à faixa etária, presença de vieses, inclusão, viabilidade, privacidade, autoria e alinhamento curricular.
  • Encontro 5: aplicação e socialização: Após testar as propostas com as turmas, os professores retornam ao grupo para compartilhar evidências. O que funcionou? O que precisou ser modificado? O que os estudantes aprenderam? Que novas questões surgiram?
O registro coletivo pode originar um banco de prompts e práticas da própria escola. Esse repertório precisa incluir não apenas os comandos considerados bem-sucedidos, mas também o contexto de uso, as adaptações feitas e os cuidados necessários.

Para não esquecer os cuidados essenciais ao utilizar IA na educação

Alguns princípios devem acompanhar qualquer proposta:
  • não inserir dados pessoais ou sensíveis de estudantes;
  • conferir fatos, datas, referências e citações;
  • comparar as informações com fontes confiáveis;
  • observar possíveis vieses e estereótipos;
  • respeitar direitos autorais e reconhecer o uso de IA;
  • não transformar respostas geradas em decisões automáticas;
  • adequar os conteúdos à idade e ao contexto dos estudantes;
  • garantir alternativas para quem não possui acesso às ferramentas;
  • valorizar o processo de aprendizagem, e não apenas a velocidade de produção;
  • preservar a autoria, a criatividade e a capacidade de investigação.
Antes de utilizar um material gerado por IA, pergunte

O conteúdo está correto?
As fontes existem e são confiáveis?
A linguagem é apropriada para a turma?
A proposta considera o contexto dos estudantes?
Há algum estereótipo ou perspectiva ausente?
A atividade promove aprendizagem ou apenas acelera uma tarefa?
O estudante terá espaço para pensar, criar, decidir e justificar?
O uso da tecnologia é realmente necessário?
Que decisão pedagógica continua sendo minha? 
 
Um convite à experimentação responsável

O PromptEduBr não oferece uma fórmula pronta para ensinar com inteligência artificial. Ele oferece algo mais importante: um território para estudar, testar, criar, refletir e compartilhar. Ao articular trilhas formativas, sequências didáticas, Metodologia 5Es, cards, modelos de comandos, registros de experimentação e referências, o portal transforma a IA em objeto de estudo e em possibilidade pedagógica. Seu maior valor está em mostrar que o professor não precisa aceitar passivamente aquilo que a tecnologia produz. Pode questionar, reformular, contextualizar, recusar, combinar, criar e ensinar os estudantes a fazer o mesmo.
A inteligência artificial pode ampliar nosso repertório e apoiar diferentes tarefas, mas não substitui a presença docente, o conhecimento pedagógico, a sensibilidade diante da turma ou a responsabilidade sobre as escolhas realizadas.
Conheça o PromptEduBr, escolha uma das trilhas, experimente os materiais e convide outros professores para aprender com você. A formação em IA se torna mais potente quando deixa de ser uma experiência solitária e passa a constituir uma prática coletiva de investigação, autoria e cuidado.

Afinal, não precisamos apenas aprender a dar comandos às máquinas. Precisamos aprender a formular boas perguntas, avaliar respostas e decidir, juntos, que educação desejamos construir com elas.

Utilize o PrompEdu como achar melhor. Ele foi feito para VOCÊ! 

Educação Midiática: Livro Máquinas Entre Nós

Gente, é com muita alegria (e orgulho!) que divulgo o lançamento do novo livro da minha querida amiga Mariana Ochs, do EducaMídia, programa do qual sou facilitadora, orgulhosamente, desde a primeira turma! E vem em um momento bem oportuno, frente ao cenário atual da IA dentro das instituições escolares!

O livro se chama "Máquinas Entre Nós: Educação midiática para a geração IA", lançado pelo Instituto Palavra Aberta. Como educadora e formadora de professores, que vive a tecnologia na prática dentro da sala de aula, sei o quanto precisamos de referenciais para compreender e traduzir o ritmo acelerado da era algorítmica para o nosso dia a dia junto aos alunos.

O livro é um chamado necessário para abandonarmos a postura de consumidores passivos e ocuparmos, de forma crítica, ética e criativa, o nosso espaço no ambiente digital e democrático. Além disso, traz reflexões profundas sobre como preservar a “fricção” da pesquisa e o pensamento autêntico dos nossos estudantes diante dos resumos automáticos das IAs. É uma contribuição fundamental para consolidarmos uma educação que desenvolva habilidades críticas para o uso da IA, algo que, hoje, se estabelece como um novo paradigma para a inclusão digital.

No eprofessor: aprendizagem em rede!, nossa missão sempre foi promover experiências de aprendizagem ágeis e provocadoras, por isso, recomendo muito este livro, pois nos auxilia a compreender como as tecnologias moldam nossas relações e oferece elementos importantes para pensarmos práticas pedagógicas capazes de responder aos desafios atuais, favorecendo a formação de cidadãos críticos e preparados para exercer seus direitos de forma ética e responsável.

E é muito atual pois alcança toda a Educação Básica até o Ensino Superior, oferecendo uma oportunidade para quem quiser navegar por esses temas com mais autonomia, criticidade e segurança.

E sabem do melhor? O e-book já está disponível gratuitamente no site do Instituto Palavra Aberta!

https://educamidia.org.br/wp-content/uploads/2026/08/WEB_MAQ_Saida.pdf


Boa leitura!

O que a torcida da Noruega pode nos ensinar sobre Educação?


Remada viking da torcida da Noruega. Timothy A. CLARY / AFP - Zero Hora
Ontem vi uma reportagem interessante sobre a torcida da Noruega durante a Copa do Mundo de 2026, que me fez refletir sobre várias coisas. O que a gente vê ali não é apenas uma torcida organizada, é um coletivo. Um monte de gente cantando junto, movendo-se no mesmo ritmo, pulsando como um único organismo. Não há protagonismo individual, a força está justamente no conjunto. E isso me fez pensar na Educação.

Muito antes de a escola existir, os seres humanos já aprendiam em comunidade. Em volta da fogueira, nas celebrações, nos rituais, no trabalho coletivo e na convivência cotidiana, conhecimentos, valores e modos de viver eram transmitidos de geração em geração. Aprendia-se observando, participando, experimentando, cooperando e pertencendo. Talvez seja por isso que cenas como essa nos emocionem. Elas despertam uma memória humana muito antiga: a de que somos seres sociais e de que crescemos na relação com o outro. Há algo de profundamente ancestral naquela imagem. Talvez não seja coincidência que essa imagem venha justamente da Noruega, terra dos vikings. Muito além das narrativas sobre guerreiros, eles representam a ideia de comunidades que sobreviviam porque cooperavam. Nenhum barco cruzava os mares impulsionado por um único remador. Era a força coletiva, o ritmo compartilhado e a confiança entre seus integrantes que permitiam seguir viagem. Ao olhar para essa torcida, é difícil não perceber ecos dessa ancestralidade. Algo que estamos perdendo pouco a pouco.

Na escola, às vezes, insistimos em medir apenas aquilo que cada estudante consegue fazer sozinho. A nota individual, a prova, o desempenho, a resposta correta. Mas penso que a aprendizagem vai muito além disso. Quando propomos experiências colaborativas, os estudantes aprendem conteúdos, desenvolvem habilidades e, principalmente, constroem atitudes, como, por exemplo, ouvir antes de responder, compreender que diferentes perspectivas enriquecem uma discussão, negociar quando surgem conflitos, assumir responsabilidades sem que alguém precise mandar, confiar no outro e perceber que sua própria contribuição faz diferença para o grupo. Essas aprendizagens dificilmente aparecem nos relatórios ou no boletim, mas são elas que fazem a diferença na vida em sociedade.

O trabalho em grupo não é apenas uma metodologia ativa ou uma forma de deixar a aula mais dinâmica. É uma oportunidade de desenvolver competências humanas que serão levadas para muito além dos muros da escola.

Em uma sociedade marcada pelo individualismo, pela competição e pela busca constante por desempenho, criar espaços de colaboração talvez seja um dos maiores desafios da educação atual. E, pensando bem, talvez também seja uma de suas maiores responsabilidades.

A torcida da Noruega nos lembra que um coletivo não se fortalece porque todos são iguais. Pelo contrário. Ele se fortalece porque pessoas diferentes escolhem caminhar na mesma direção. É exatamente isso que buscamos quando promovemos experiências de aprendizagem colaborativa. Não queremos formar estudantes que apenas dominem conteúdos. Queremos formar pessoas capazes de dialogar, cooperar, respeitar diferenças, construir soluções coletivas e compreender que ninguém aprende, cria ou transforma o mundo completamente sozinho.

No final, aquela torcida não está só apoiando sua seleção. Ela é uma metáfora sobre pertencimento, cooperação e construção coletiva. E essa é uma das lições mais bacanas que o esporte pode oferecer à educação. Porque aprender junto não é apenas uma estratégia pedagógica, é uma experiência humana, é ancestral e continua sendo uma das formas mais potentes de transformar pessoas e comunidades.

Se você ainda não viu, acesse o link para ver:



Esse texto foi revisado e corrigido gramaticalmente pelo GEMINI.

Inteligência Artificial na Educação: o novo referencial do MEC e o papel dos professores nesse cenário

Vou começar com uma pergunta: você, professora ou professor, já parou para pensar em como utilizar a IA de forma responsável na educação?

Foi muito rápido o uso da IA por parte de professores e alunos para gerar textos, organizar ideias, produzir imagens, apoiar atividades e tantas outras coisas. Mas... ainda existe aquela situação em que os estudantes usam e não falam, os educadores usam e também não falam...
Para tentar responder a essa questão inicial, o Ministério da Educação apresentou o Referencial para o Uso e Desenvolvimento Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação. Elaborado pela Secretaria de Gestão da Informação, Inovação e Avaliação de Políticas Educacionais (SEGAPE), o documento reúne princípios, diretrizes e recomendações para orientar escolas, redes de ensino, gestores e educadores no uso ético e consciente dessas tecnologias.

Mais do que um documento técnico, o referencial propõe várias reflexões importantes que vou tentar trazer aqui para pensarmos juntos.

Vou começar pela ideia de que é fundamental que a IA esteja alinhada aos valores que sustentam a educação como direito e como bem público. Isso significa que sua presença nas escolas não pode ser guiada apenas pela lógica da inovação tecnológica, mas também por princípios pedagógicos, sociais e éticos. É difícil, né? Porque ainda estamos engatinhando no letramento em IA, inclusive entre professores, gestores e diretores... (Lembra do meu texto anterior? Depois dá uma chegadinha lá!)
Outro ponto é a redução das desigualdades. A IA deve contribuir para ampliar a inclusão e reduzir desigualdades, e não para aprofundá-las. E a gente já tem percebido que o uso da IA acontece de forma diferente nas escolas públicas e privadas. Por isso, pensar o uso da IA na educação exige cuidado para que novas ferramentas não criem ainda mais distâncias entre estudantes e escolas com realidades distintas.
E isso dá gancho para outro ponto fundamental: a responsabilidade continua sendo das pessoas. A inteligência artificial pode apoiar decisões, organizar informações e ampliar possibilidades pedagógicas, mas não substitui o olhar humano, sua experiência e sua sensibilidade.
A necessidade de transparência no uso da IA também é outro ponto importante. As escolas e redes de ensino precisam compreender como funcionam as ferramentas adotadas, quais dados são utilizados e quais limites tudo isso possui. Como a gente já sabe, a IA reflete dados, modelos e escolhas feitas por pessoas. Por isso, compreender seus mecanismos faz parte do uso responsável.
E a transparência nos leva a outro tema: a proteção de dados e da privacidade. O uso de plataformas digitais envolve, frequentemente, a coleta de informações de estudantes e professores. Nesse contexto, torna-se fundamental respeitar a legislação vigente, especialmente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo que essas informações sejam tratadas com cuidado, segurança e transparência.

E o professor? O documento não fala nada? Fala, sim, senhor! O referencial valoriza muito o papel do professor. Em nenhum momento a IA é apresentada como substituta dos educadores. Pelo contrário: reforça a importância da formação inicial e continuada para que os professores possam compreender essas tecnologias, explorar suas potencialidades e também reconhecer seus limites.

É importante lembrar que a integração da IA na educação não é apenas uma questão tecnológica. Trata-se, sobretudo, de um processo pedagógico e cultural. Para redes e instituições de ensino, o documento funciona como um guia para pensar políticas institucionais que envolvam desde infraestrutura e formação até princípios éticos e estratégias de inovação. E esse já é um ótimo ponto de partida! Além disso, o referencial convida diferentes setores da sociedade, como universidades, organizações sociais, pesquisadores e movimentos educacionais, a participarem dessa construção coletiva. Afinal, discutir IA na educação é pensar sobre o futuro da formação humana em uma sociedade cada vez mais digital.
Para nós, professores, o documento serve como um apoio em meio a esse turbilhão de coisas que acontecem quando o assunto é IA. Ele reforça que o uso da IA na educação precisa caminhar junto com reflexão crítica, responsabilidade social e compromisso com a aprendizagem. Eu sei, eu sei... a gente sempre pensa nisso. Mas não custa dar uma forcinha para essa ideia.
A tecnologia abre possibilidades interessantes. Pode apoiar a criação de materiais didáticos, ampliar repertórios, ajudar na organização do trabalho docente e até favorecer percursos mais personalizados de aprendizagem. Mas nenhuma ferramenta substitui aquilo que continua sendo o coração da educação: o encontro entre pessoas, o diálogo, a mediação e o pensamento crítico.
Para mim, fica a ideia de que o documento vai além do aspecto normativo e convida todos da área educacional  à uma excelente reflexão.

Clique aqui e acesse o documento na íntegra.

Esse texto foi revisado e corrigido gramaticalmente pelo GEMINI.

Evangelização e Letramento em tempos de IA


Em um artigo publicado no jornal Valor, no dia 03/06/2026, a pesquisadora e professora da PUC-SP, Dora Kaufman, propõe uma distinção importante para compreender os desafios da Inteligência Artificial nas organizações: a diferença entre letramento e evangelização.

Inspirada pelo texto da professora, que aborda essencialmente o universo corporativo, fiz o exercício de uma transposição didática para as instituições de ensino e o universo escolar, no qual estou profundamente inserida.

No seu texto, ela menciona o termo "estreitamento cognitivo", da psicóloga Susan David, da Harvard Medical School, citado em um artigo publicado também no Valor em 21 de Maio de 2026, definido como a tendência humana de simplificar cenários complexos e ambíguos em busca de respostas rápidas e certezas confortáveis. A partir desse ponto, o alerta vermelho já se acendeu para mim, pois, em um momento em que a IA ocupa cada vez mais espaço nos debates educacionais, esse é um desafio importante e que merece atenção.

Como tenho comentado aqui (aliás, desde os primórdios deste blog e de todas as "novas tecnologias" surgidas nesse período), quando ocorre a chegada de tecnologias emergentes às escolas, há sempre um frisson geral: reações, emoções e até uma certa comoção que oscila entre o entusiasmo exagerado e a rejeição imediata. Infelizmente, nas duas situações, perdemos a oportunidade de discutir um tema de fundamental importância na atualidade e que já tem trazido impactos significativos ao cotidiano de estudantes e professores.

A decisão de permitir ou não o uso da IA dentro da escola já ficou para trás! Tanto nas escolas públicas quanto nas privadas, os alunos já fazem uso da IA em suas próprias redes, pelo celular, o que se torna difícil de monitorar. Portanto, ainda que haja resistência por parte de professores, coordenadores e diretores, ela já faz parte da vida dos estudantes. Penso que agora o momento é de refletir sobre COMO incorporá-la de maneira ética, crítica e pedagogicamente significativa. E não podemos demorar muito não!

Outro dado destacado pela professora Dora Kaufman diz respeito à pesquisa da Prosci: 63% dos desafios relacionados à implementação da Inteligência Artificial têm origem em fatores humanos, e não em limitações tecnológicas. Em outro estudo realizado pelo Google Cloud, também apontado por ela, mostra-se que 64% dos executivos reconhecem a urgência de adotar ferramentas de IA generativa, mas mais da metade admite que suas organizações não possuem as competências necessárias para fazê-lo adequadamente. Aqui, ressalto: qualquer semelhança com o universo escolar não é mera coincidência, pois o cenário é praticamente o mesmo (o link das pesquisas encontra-se no artigo original).

Muitas instituições já disponibilizam ferramentas baseadas em IA para seus profissionais e estudantes, o que não garante absolutamente nada. Aliás, penso que isso pode até piorar a adoção adequada da IA. Ferramentas, plataformas e aplicativos não faltam em várias escolas. O que faz falta, de verdade, é dar condições para que os atores pedagógicos compreendam o fenômeno em profundidade e desenvolvam segurança para atuar nesse novo contexto.

E é aí que a professora Dora entra com os termos: letramento e evangelização.

O letramento em IA diz respeito à formação de toda a comunidade escolar. Envolve compreender o funcionamento básico dessa tecnologia, reconhecer seus limites, identificar vieses, analisar impactos éticos e aprender a utilizá-la de forma responsável. Algo como desenvolver repertório crítico.

E aqui faço um parêntese por minha conta sobre a diferença entre alfabetização e letramento. Um exemplo didático que gosto de mencionar para diferenciar os dois termos é baseado na escrita (perdoem-me se houver algum equívoco; aceito sugestões e comentários de quem é da área): alfabetização é aprender a ler e escrever. O foco está na compreensão da combinação e composição entre sílabas e letras. Já o letramento é o uso que se faz da leitura e da escrita, estando mais relacionado à sua função social.

Para os professores, isso significa ir além do uso instrumental e técnico das ferramentas. Significa compreender quando a IA pode apoiar processos de aprendizagem, quando pode comprometer o desenvolvimento de determinadas habilidades e quais competências humanas precisam ser fortalecidas justamente porque as máquinas passaram a executar determinadas tarefas com eficiência. E eu vejo que ainda estamos bem longe de um cenário em que haja essa compreensão geral por parte dos docentes.

Para os estudantes, o letramento é muito mais saber perguntar do que obter respostas. Envolve questionar respostas prontas, verificar informações, identificar vieses e alucinações, reconhecer manipulações e compreender que nem toda resposta produzida por uma IA é necessariamente correta ou adequada.

Mas Dora Kaufman chama a atenção para uma segunda camada igualmente importante: a evangelização das lideranças. Ao ler o texto, estranhei o termo. Fiquei em dúvida sobre seu significado, mas entendi quando ela esclareceu:
O termo 'evangelização' deriva do grego euangelon ('boas novas') e euangelizomai ('eu trago uma mensagem'), significando originalmente uma recompensa por trazer boas novas. No universo cristão, representa a defesa de uma causa com o objetivo de converter pessoas; e, em um sentido mais amplo, é o compartilhamento intencional e persuasivo de uma causa ou crença com o objetivo de apresentar um novo método de vida à luz de uma nova tecnologia, com a convicção de seus benefícios. Organizações usam o termo para descrever a comunicação de uma mensagem transformadora, e a indústria de tecnologia considera 'evangelista' alguém que defende algo apaixonadamente, incentivando outros a adotarem a mesma perspectiva.
No contexto escolar, essa evangelização não deve ser entendida como convencimento ou adesão incondicional à tecnologia. Entendo que, aqui, a ideia passa pela compreensão estratégica por parte das equipes gestoras. Diretores, coordenadores e mantenedores precisam entender que a IA não é apenas uma nova ferramenta tecnológica, mas que ela traz mudanças nas formas de ensinar, aprender, avaliar, produzir conhecimento e organizar o trabalho pedagógico.

Quando os gestores compreendem esse impacto, as decisões deixam de ser pautadas apenas pela aquisição de tecnologias e passam a considerar aspectos como formação continuada, governança, ética, privacidade de dados, cultura institucional e desenvolvimento humano. E aqui me permito fazer outro parêntese: nós já passamos por isso anteriormente, não é mesmo? Quem lembra?

Essa reflexão é particularmente importante porque a escola possui uma responsabilidade que vai além da aquisição de competência operacional. Enquanto empresas buscam resultados de negócio, instituições educacionais formam pessoas. Por isso, qualquer debate sobre IA na educação precisa preservar uma pergunta fundamental: quais capacidades humanas queremos desenvolver em nossos estudantes?

Curiosamente, a própria expansão da IA reforça a importância de competências tradicionalmente associadas ao trabalho educativo. Empatia, criatividade, pensamento crítico, argumentação, colaboração, discernimento ético e capacidade de lidar com a incerteza tornam-se ainda mais valiosas em um cenário no qual as máquinas conseguem produzir textos, imagens, códigos e análises em poucos segundos.

A leitura do artigo de Dora Kaufman nos convida, portanto, a deslocar o foco da tecnologia para as pessoas. Antes de discutir plataformas, licenças ou ferramentas, talvez seja necessário perguntar: nossa comunidade escolar está preparada para compreender criticamente essa transformação? Nossas lideranças conseguem enxergar seus impactos para além do curto prazo? Estamos formando usuários de IA ou cidadãos capazes de conviver de forma consciente com ela? 

A resposta a essas questões provavelmente definirá não apenas a qualidade da adoção tecnológica nas escolas, mas também a capacidade da educação de cumprir sua missão em uma sociedade cada vez mais atravessada pela IA. Lideranças devem ser evangelizadas, professores e estudantes, adquirir letramento! É isso?

Nesse sentido, o maior desafio não é tecnológico. Como afirma Dora Kaufman, trata-se de um desafio essencialmente humano. E é justamente por isso que a educação tem um papel tão estratégico neste momento histórico.

Obrigada, professora Dora Kaufman! Seu artigo gerou boas reflexões por aqui!


Esse texto foi revisado e corrigido gramaticalmente pelo GEMINI.

IA na Educação Básica - Mais um Documento Referencial

E saiu fresquinho o documento orientador sobre caminhos curriculares e práticas éticas de uso de IA nas escolas! O novo documento do MEC traz uma mensagem muito clara para quem está na educação básica: não dá mais para pensar a Inteligência Artificial apenas como ferramenta. Ela precisa entrar na escola também como objeto de conhecimento. Aliás, isso lá não é muita novidade, não é mesmo? Mas é bom reforçar, por que nem todo mundo da Educação entende assim! Ou seja, não basta usar IA para planejar aula ou gerar atividade, é preciso ensinar os estudantes a compreender como ela funciona, quais são seus limites, seus riscos e seus impactos na sociedade. O documento propõe justamente esse equilíbrio entre “aprender com IA” e “aprender sobre IA”, articulando o uso pedagógico com uma formação crítica.
O ensino sobre IA refere-se à inteligência artificial como objeto de conhecimento [...] O ensino e aprendizagem com IA refere-se, por sua vez, ao uso da inteligência artificial como recurso educativo, implicando a decisão sobre se, quando e como usar estes recursos.
Vale apontar também que o documento ressalta o descompasso entre o que já acontece na prática e o que ainda falta estruturar na escola. É uma loucura, um vão enorme entre um e outro! Os dados mostram que estudantes e professores já usam IA no cotidiano, mas ainda com pouca mediação pedagógica e quase nenhuma orientação sistematizada. Isso reforça a urgência de trazer o tema para o currículo, de forma intencional, conectada à educação digital e midiática, e não como algo improvisado ou pontual.

Por fim, é muito bacana ver que o documento coloca o professor no centro desse processo novamente. Não como alguém que será substituído, mas como quem precisa decidir quando, como e por que usar a IA. Afinal, quem é a autoridade em Educação? Para isso, a formação docente aparece como peça-chave, junto com princípios éticos, proteção de dados e cuidado com o bem-estar dos estudantes. No fundo, o que o texto propõe é simples, mas profundo: usar a tecnologia sem perder o sentido pedagógico, formando sujeitos críticos, criativos e responsáveis em um mundo cada vez mais mediado por algoritmos.

Quer saber mais sobre o documento e lê-lo na íntegra? Clique aqui para acessar e divirta-se!

Ou acesse o resumo por aqui

Ensinar em tempos de incerteza: reflexões inspiradas no filme O Agente Secreto


Em outras postagens, abordei o tema sobre a importância da construção do repertório do professor, seja em viagens de férias e nas experiências com outras culturas, ou em museus, exposições, teatro, cinema... Esses espaços culturais oferecem contato com outras narrativas, perspectivas e estéticas, permitindo que o professor compreenda mais profundamente a complexidade humana e os debates do seu tempo. Cada obra vista, cada história ou experiência vivida fora da escola se transforma em matéria-prima para enriquecer as aulas, criar conexões significativas com os estudantes e manter viva a própria curiosidade intelectual. Cultivar esse hábito é investir na formação contínua e na potência criativa da docência.

Por isso, hoje vou falar sobre as relações que estabeleci ao assistir o filme O Agente Secreto (com o incrível e lindo Wagner Moura) e a práxis pedagógica. Podem ler, não contém spoilers. E claro, o texto representa aquilo que eu penso. É um convite para uma pequena brincadeira com o tema e também para assistir ao filme, que é muito bom! Deixem-se levar, ok?

Penso que usar o cinema para refletir sobre a prática cotidiana dos professores é sempre uma ótima oportunidade de olhar para a escola a partir de outros ângulos. Quando assistimos a um filme, abrimos espaço para pensar sobre nós mesmos, sobre as pessoas, sobre o mundo e sobre as diversas camadas (in) visíveis da prática educativa. 

O filme O Agente Secreto é especialmente interessante porque trata de temas como vigilância, confiança, ética e manipulação da informação, elementos que hoje atravessam o cotidiano da escola de forma muito intensa. O filme é marcado pela vigilância constante e nos ajuda a pensar sobre o que significa ser professor hoje. Em muitas escolas, a rotina é permeada por avaliações externas, métricas, plataformas, câmeras e expectativas de todos os lados. Assim como Armando (ou será Marcelo?), o professor sente que suas ações estão sempre sob julgamento e análise. Neste sentido, me pergunto: como sustentar criatividade, ética e autonomia em um cenário de permanente observação?

No filme, há muitas narrativas e elas mudam o tempo todo. É importante que a verdade (qual delas?) seja decifrada. Na educação contemporânea um dos grandes desafios é ensinar a ler criticamente o mundo. A avalanche de informações, manipulações, vieses e discursos que disputam a nossa atenção, principalmente em tempos de IA, nos coloca em estado de desconfiança permanente. O professor, assim como o agente, precisa aprender a interpretar sinais, desconfiar do óbvio e ajudar seus alunos a desenvolverem essa mesma capacidade.

Armando (ou será Marcelo?) enfrenta muitas escolhas difíceis, verdadeiros dilemas morais. A docência, embora não envolva espionagem (eu não duvido que haja correspondência em algumas situações), também é atravessada por situações delicadas. Todos os dias o professor decide como acolher, como dar limites, como lidar com conflitos, como ser justo e, ao mesmo tempo, manter o vínculo com os estudantes. Em tempos de hiperexposição, em que tudo pode ser registrado e circulado, manter um compromisso ético se torna ainda mais desafiador.

Assim como o agente atua nas entrelinhas, às escondidas, o professor também realiza grande parte do seu trabalho nos bastidores. Planejamento, estudo, reflexão, preparação das aulas e acompanhamento individualizado raramente aparecem. O Agente Secreto ajuda a enxergar essa dimensão silenciosa da docência, o esforço que não vira manchete, mas que sustenta a escola todos os dias.

Para Marcelo (ou será Armando?) sempre falta parte das informações. Ele age no escuro e toma decisões com base em pedaços de informações, assim como na docência, no momento que o professor lida com o inesperado, com a pergunta que não estava no roteiro, com o aluno que chega fragilizado, com calendário alterado, com imprevistos, com a mudança de planejamento imposta por fatores externos. Educar é trabalhar com gente e, por isso, exige coragem para atravessar a incerteza sem deixar de agir.

Por fim, o filme mostra como escolhas individuais podem impactar a sociedade. Na educação, isso também acontece. Cada decisão pedagógica, cada forma de lidar com a diversidade e cada escolha curricular envolve valores, visões de mundo e disputas culturais. Professores entendem que educar é um ato político (já dizia nosso mestre Paulo Freire) no sentido mais profundo do termo: trata-se de decidir que sociedade queremos construir.

Como eu disse no início do texto: é um convite para uma pequena brincadeira e também para assistir ao filme! Não se trata aqui de buscar equivalências literais entre filme e práxis pedagógica, mas sim abrir caminhos para enxergar o trabalho docente com mais consciência. O filme ajuda a refletir sobre temas que são urgentes hoje, como o papel da ética, a circulação de informações, a invisibilidade do trabalho docente e as tensões que marcam a vida nas instituições educativas. O cinema cria um espaço seguro para pensar, sentir e questionar. É uma forma de nos aproximar de discussões que vão além do conteúdo e tocam na essência da profissão.

Assistam! O filme é muito bom e nos faz pensar em tempos que a gente não quer de volta. Por isso a Educação é tão importante!


A IA e o Futuro da Educação: crise ou oportunidade?

Como temos conversado aqui, a IA deixou de ser uma promessa distante há muito tempo. Ela se instalou no cotidiano da escola, muitas vezes sem pedir licença. Os estudantes a utilizam indiscriminadamente. Aparece no tutor que responde dúvidas no Wpp, no avatar que simula um professor universitário, nos textos incríveis elaborados em segundos na tela. A IA está mudando a forma como aprendemos, ensinamos e até como entendemos o que significa “saber”.

A UNESCO, no documento AI and the future of education Disruptions, dilemmas and directions (IA e o futuro da educação: perturbações, dilemas e direções), indica que estamos diante de uma virada histórica. Será? A sensação é a de estarmos pisando em terreno novo, fértil e perigoso, que nos desafia a uma reflexão profunda, coletiva e honesta. E não dá para adiar. A educação está no centro desse debate, como em tantas tecnologias que surgiram por aí...

Depois de ler o documento, achei interessante compartilhar alguns pontos que mais me chamaram atenção e que nos ajudam a enxergar o tamanho do desafio e também da oportunidade que temos pela frente.
 
1. a IA aumenta a desigualdade?

A IA chega prometendo personalização, acessibilidade e novas formas de aprender. Mas chega de forma desigual. Um terço da população mundial segue fora da internet, enquanto modelos avançados de IA continuam restritos a quem pode pagar, em dados, infraestrutura, assinaturas ou simplesmente por falar línguas hegemônicas. A própria lógica dos algoritmos, muitas vezes treinados com dados ocidentais e homogêneos, carrega riscos de reforçar desigualdades de gênero, raça, território e cultura. Vale lembrar também do custo ambiental. A IA generativa consome água e energia (como outras tecnologias já existentes), um preço que recai sobre regiões já fragilizadas, o que pode aumentar a desigualdade.
 
2. O professor é insubstituível?

Por mais incrível que um modelo generativo seja, ele não sente vergonha, alegria, frustração ou empatia. Não compreende silêncio, gesto, ambiguidade  e esses são elementos que sustentam a vida pedagógica, é o que traz subjetividade no percurso educativo. E isso, só o ser humano tem. A educação é uma prática profundamente humana, relacional e ética.  Não se trata de encaixar o professor na lógica da IA, mas de colocar a IA a serviço do professor e do estudante. Penso que o atual momento dá outro valor ao professor, ao invés de substituí-lo!  Ele amplia seu papel para além da sala de aula e da sua práxis pedagógica convencional,  se torna designer de experiências, curador crítico, mentor, leitor atento das nuances que máquina nenhuma é capaz de captar.
 
3. A crise da avaliação

A IA mostrou, com todas as letras, que nossas formas convencionais de avaliar estão por um fio. Ela escreve redações complexas, passa em exames de pós-graduação e produz respostas perfeitas, mas sem vida, sem autoria e sem contexto. Se insistirmos no modelo antigo, a crise só vai piorar. Mas se encararmos esse colapso como chance de mudança, abrimos espaço para uma mudança pedagógica: avaliações mais contínuas, formativas, fundamentadas no julgamento humano, no raciocínio ético, na capacidade de argumentar e se relacionar. O texto menciona o conceito de “aprendizagem ciber-social”, em que humanos e máquinas colaboram, mas a interpretação e o sentido continuam sendo responsabilidades humanas. E, para navegar tudo isso, o letramento em IA precisa se tornar tão fundamental quanto ler, escrever e calcular, compreender como os algoritmos funcionam, questionar seus vieses e usá-los de forma ética e criativa. Alô, alô, Educação Midiática!!!

4. Dá para ignorar os dilemas éticos?

As possibilidades são incríveis, mas as tensões não são nada fáceis. A " super" personalização pode ser sedutora, mas corre o risco de isolar estudantes, limitar horizontes e reforçar desigualdades. A aprendizagem, afinal, é social. Crescemos na troca, na dúvida, no conflito produtivo. Por isso, a UNESCO defende uma ética do cuidado “por design”: sistemas pensados desde o início para proteger vulnerabilidades, promover interdependência e garantir transparência. Essa ética exige participação real de professores e alunos na construção das ferramentas, auditorias que verifiquem confiança e bem-estar e mecanismos que explicitem de onde vêm os dados, as escolhas e as visões de mundo que formam cada modelo. Para onde vamos?
A IA é apresentada como gatilho para uma reorientação civilizatória. UAU! Se isso soa grandioso, é porque realmente é. Não podemos apenas automatizar velhos hábitos. Temos a chance de construir algo mais justo, mais curioso e mais humano. Garantir que a IA contribua para uma educação vista como bem público depende de coragem política, ética cotidiana e participação ativa de toda a comunidade educativa. A tecnologia não escreve o futuro sozinha; somos nós que escrevemos.

Não podemos apenas automatizar velhos hábitos. Temos a chance de construir algo mais justo, mais curioso e mais humano.

E talvez essa seja a boa notícia no meio de tantas incertezas.
Para quem quiser aprofundar o tema e explorar caminhos possíveis para reestruturações pedagógicas mais robustas, o documento completo da UNESCO está disponível online (em inglês por enquanto, mas nada que um tradutor não resolva!). Clique no link abaixo!

Construção de repertório: a experiência que educa

Equipe professores EMEF Plácido de Castro
Depois de uma Reunião Pedagógica muito agradável no SESC Santo Amaro aqui em São Paulo com a equipe docente da EMEF Plácido de Castro na exposição EU SOU O BRASIL - ARTISTAS POPULARES e uma visita à 36 Bienal de Arte no Ibirapuera no dia seguinte, inspirada em um Poema de Conceição Evaristo - DA CALMA E DO SILÊNCIO, gostaria de trazer uma reflexão sobre a importância da construção do repertório do professor, seja ele de qualquer área do conhecimento. Mas não qualquer repertório, e sim aquele que nasce do encontro vivo com a arte, a cultura e o mundo. Já trouxe aqui duas experiências minhas, uma publicada no LinkedIn a visita ao Museu de INHOTIM e outra, publicada aqui no eprofessor, a inspiração colhida na experiência de viagem para os Lençóis Maranhenses.

Hoje, falo de ir a exposições, assistir a uma peça, se emocionar com um filme, se deixar tocar por uma música, ir à uma feira de livros — experiências que alimentam nossa sensibilidade e nos ajudam a transformar a sala de aula em um espaço mais vibrante, criativo e humano. Nas visitas que fiz ao longo do final de semana no SESC e na Bienal, revisitei teóricos que trazem pontos de reflexão fundamentais para nossa prática docente.  

Exposição SESC Santo Amaro
A leitura de mundo começa em nós, não é mesmo? Quem nunca se sentiu repetindo fórmulas, reciclando planos de aula e procurando, quase em desespero, por uma faísca de novidade? Muitas vezes, essa faísca não está em um novo aplicativo ou metodologia, mas fora da escola, no nosso próprio contato com o mundo. 

Como nos lembra Paulo Freire, a leitura do mundo precede a leitura da palavra. E é impossível ajudar nossos alunos a ampliar o olhar se nós mesmos não estamos nos nutrindo de novas leituras, imagens, sons e experiências. Visitar uma exposição, por exemplo, é um ato de leitura. É se deixar atravessar por outras narrativas e poéticas — é educar o olhar e expandir o sentir.

Ana Mae Barbosa nos lembra disso ao propor sua Abordagem Triangular: contextualizar, fazer e apreciar. Para que a apreciação em sala seja autêntica, nós, professores, precisamos ser os primeiros apreciadores. É preciso ter o que contar, o que sentir, o que compartilhar. Afinal, a arte que vemos, ouvimos e vivemos se transforma em matéria-prima para nossas aulas — e para a vida.

Já, o filósofo John Dewey dizia que a experiência é a base da aprendizagem, e que a arte é uma forma de experiência consumada — ou seja, uma vivência que nos transforma. E de modo muito próximo, Jorge Larrosa fala da experiência como aquilo que nos acontece, o que nos atravessa, o que nos faz diferentes do que éramos antes. Ambos nos convidam a desacelerar, a estar presentes e abertos ao mundo, para que algo realmente nos toque. Quando vivemos uma experiência estética — seja numa galeria, num espetáculo ou até numa conversa inspiradora —, ampliamos nosso campo de percepção e sensibilidade. E isso reverbera em sala: uma aula inspirada em um filme, uma performance, uma canção, um poema ou uma visita cultural carrega o nosso olhar e a nossa emoção. É essa energia viva que contagia os alunos e os convida a também buscarem suas próprias experiências transformadoras.

Em tempos de aceleração e dispersão, a arte nos chama à presença. Hannah Arendt nos lembra que é no espaço público, onde nos mostramos e construímos um mundo comum, que exercemos nossa humanidade. O teatro, o cinema, as exposições e as praças culturais são, por excelência, lugares de encontro e partilha — espaços de resistência ao isolamento e à superficialidade. A arte como espaço de humanidade!

36 Bienal: Mulher Pássaro, Menina Pássaro, Ìrókó: A árvore cósmica
Por isso, a arte não deve ser um “extra” na escola — mas sim, a própria escola da sensibilidade e da convivência. Ela nos ensina a ver o outro, a escutar o diferente, a imaginar futuros possíveis. E um professor que vive a arte contagia sua turma com esse mesmo desejo de compreender, criar e pertencer.

Você pode estar se perguntando: mas e em tempos de IA, como fica tudo isso? Não temos mais espaço para nos emocionar, sentir, viver, experimentar? 
Curiosamente, quanto mais a tecnologia avança, mais a vivência humana e sensível se torna necessária.

A Inteligência Artificial pode ser uma aliada poderosa — ajuda a pesquisar artistas, criar imagens, montar roteiros, visitar museus virtuais pelo Google Arts & Culture ou gerar ideias criativas. Mas a IA trabalha com repertórios existentes. Ela não sente o arrepio de uma música ao vivo, não se emociona diante de um quadro, não ri nem chora com literatura ou ao lado de um grupo de alunos. Por isso, o nosso papel se renova: não é apenas transmitir conteúdos, mas proporcionar experiências. Usar a tecnologia, mas nunca deixar de viver o que só o humano pode viver.

Cartaz 36 Bienal 2025
A rotina é corrida, eu sei. Mas construir repertório é parte do nosso trabalho — e também um gesto de autocuidado e inspiração. Pensei em compartilhar algumas ideias simples, que tem dado certo para mim, para começar hoje:
  • Caderno de bordo cultural ou Caderno Criativo: registre suas vivências. Escreva, desenhe, cole ingressos, anote sensações. Crie seu diário de referências.
  • Explore a cena local: veja o que há de gratuito ou acessível em centros culturais, teatros, cineclubes e feiras de arte. Convide colegas para irem juntos.
  • Conecte com o currículo: relacione o que viu com temas que está ensinando. A arte é interdisciplinar por natureza.
  • Experimente antes: visite o local antes de levar a turma. A experiência pessoal enriquece a mediação.
  • Crie um “museu digital”: use a tecnologia para expandir seu olhar — siga artistas, explore acervos virtuais e compartilhe descobertas com os alunos.
Cultivar repertório é uma forma de alimentar a alma docente. É o que nos mantém curiosos, criativos e conectados com o mundo e com nossos alunos. Que sejamos professores-artistas, professores-curadores, capazes de transformar cada aula em um espaço de experiência e sentido.

E você? Qual foi a última experiência cultural que te atravessou e reverberou na sua prática?

Educação Digital e Midiática: como elaborar e implementar o currículo nas Escolas

O Ministério da Educação (MEC) acaba de lançar o guia Educação Digital e Midiática: como elaborar e implementar o currículo nas escolas. O documento, que começa a valer em 2026, chega como um verdadeiro mapa para orientar professores e gestores na integração da cultura digital ao dia a dia das escolas.

Produzido em parceria com outras secretarias governamentais, o guia não é apenas um manual técnico. Ele traz fundamentos legais e conceituais — alinhados à BNCC (na área de Computação) e às Diretrizes do CNE de 2025 — e também oferece caminhos práticos de implementação. Mais do que ensinar a usar ferramentas digitais, o objetivo é formar cidadãos críticos, criativos e éticos diante dos desafios do mundo digital. O documento organiza suas orientações em três grandes eixos:
  • Flexibilidade: cada rede pode decidir se vai trabalhar a Educação Digital de forma transversal (em todas as disciplinas) ou como disciplina própria.
  • Formação docente: traz um plano prático para apoiar professores, já que eles são peças-chave nessa transformação.
  • Monitoramento: inclui um calendário de acompanhamento para garantir que as mudanças cheguem de fato à sala de aula.
Em resumo: o guia é um convite para que as escolas deixem de ser apenas consumidoras de tecnologia e passem a formar alunos que sabem pensar criticamente sobre ela.

Tabela elaborada pelo Notebook LM a partir do documento

A Educação Midiática (EM) está dentro desse movimento mais amplo da Educação Digital. Ela vai muito além de “mexer bem no celular” ou “saber usar o computador”. O foco é formar estudantes capazes de analisar, criar e participar ativamente do ambiente informacional e midiático, seja físico ou digital.

Historicamente, o uso da tecnologia nas escolas brasileiras foi quase sempre instrumental — aprender a digitar, usar editores de texto ou pesquisar na internet. Agora, com documentos como as Diretrizes Operacionais Nacionais do CNE (2025), a Estratégia Brasileira de Educação Midiática (EBEM) e o próprio guia do MEC, a proposta é mudar essa lógica. A ideia é colocar a tecnologia a serviço da cidadania digital crítica. O currículo sugerido pelo MEC traz temas fundamentais para compreender a vida digital hoje:
  • Algoritmos e Inteligência Artificial (IA): como funcionam, de onde vêm os dados e quais são os impactos sociais e éticos.
  • Letramento informacional e midiático: aprender a lidar com diferentes mídias e gêneros textuais, como notícias, publicidade e posts de redes sociais.
  • Cultura digital e complexidade: reconhecer os saberes necessários para usar dispositivos, linguagens e mídias de forma integrada e consciente.
  • Direitos digitais: refletir sobre segurança online, responsabilidade, privacidade e até modelos de negócios das plataformas digitais.
Nenhuma dessas mudanças é possível sem professores bem preparados. Por isso, o guia enfatiza a criação de um Plano de Formação Continuada. Cada rede de ensino poderá escolher se prefere trabalhar a Educação Digital de forma transversal ou como disciplina, mas em ambos os casos será preciso oferecer formação crítica e criativa aos educadores.

O MEC apoia esse processo com ferramentas como o Referencial de Saberes Digitais Docentes e o Autodiagnóstico de Saberes Digitais Docentes (no AVAMEC), que ajudam professores a identificar suas competências e pontos de desenvolvimento.

A implementação efetiva da Educação Digital e Midiática está prevista para 2026. Até lá, redes e escolas terão 2025 inteiro para revisar currículos e preparar seus planos de formação.


Essa mudança surge em um momento em que muito se discute o impacto das redes sociais e do uso excessivo de telas na vida de crianças e jovens. O guia do MEC e outras iniciativas, como o EDUCAMÍDIA, nos lembram que a tecnologia não é apenas ferramenta, mas também cultura, linguagem e espaço de convivência.

Para acessar o Guia na íntegra, clique aqui!